quarta-feira, 2 de maio de 2012

Transtorno Bipolar

COMO TRATAR O TRANSTORNO BIPOLAR DO HUMOR?

Autores: 
Deborah Duarte Azevedo - Acadêmica do 4º ano de Medicina - UnB
Dr. Thales Weber Garcia, MD, MSc
Professor Coordenador da Disciplina de Psiquiatria
Profa. Dra. Maria das Graças de Oliveira, MD, MSc, Ph.D
Dra. Simone Lespinasse Araújo, MD



O que é?

O Transtorno Bipolar é classificado como um transtorno do humor. Os estados anormais do humor podem levar a prejuízos em toda a saúde do indivíduo acometido, prejudicando principalmente suas emoções, sentimentos, afeto e comportamento. Como conseqüência, costuma haver comprometimento da qualidade de vida e da sociabilidade.

Quem atinge?

O Transtorno Bipolar acomete aproximadamente 1% dos indivíduos da população geral, ocorrendo tanto em homens quanto em mulheres. A idade de início do primeiro episódio da doença pode variar desde a infância (5 a 6 anos de idade) até os 50 anos, ou mais.

Como se manifesta?

O Transtorno Bipolar é caracterizado pela ocorrência de episódios maníacos (estados de exaltação do humor) e depressivos, ou somente episódios maníacos.
A mania é um estado de humor elevado, expansivo ou irritável caracterizado por algumas das seguintes manifestações: excitação, pensamento acelerado, fala excessiva, inquietação, hiperatividade, diminuição da atenção, euforia, auto-estima e auto-confiança infladas, redução do sono, irritabilidade, humor instável, idéias grandiosas,  impulsividade, agressividade, hostilidade, gastos excessivos, comportamentos sociais ou sexuais inadequados (desinibição ou falta de pudor), delírios de grandeza, podendo haver alucinações em casos mais graves.
A depressão é um estado de humor, onde a perda de interesses ou de prazer são as manifestações essenciais. O indivíduo acometido pode apresentar as seguintes alterações: tristeza sem motivo ou desproporcional às circunstâncias, sentimento de desesperança, dor emocional, angústia, baixa auto-estima, sentimentos de desvalia e inutilidade, isolamento social, choro fácil e freqüente, irritabilidade, falta de interesses, incapacidade de sentir prazer, sentimento de culpa excessiva ou inadequada, falta de vontade ou motivação para iniciar atividades, pensamentos relacionados à morte, diminuição da energia, diminuição da atividade, fadiga, dificuldade de concentração, prejuízo de memória, pensamento lento, dificuldade de raciocínio, insônia ou hipersonia (período prolongado de sono ou sonolência diurna excessiva), despertar matinal muito precoce, diminuição ou aumento do apetite, ganho ou perda de peso, ansiedade e redução do interesse sexual.
Como se comporta?

O Transtorno Bipolar inicia-se mais freqüentemente com um episódio depressivo, que pode durar de duas semanas a mais de um ano, se não tratado. No entanto, existem pacientes que não apresentam episódios depressivos durante todo o curso da doença, havendo somente a fase maníaca do transtorno. O episódio maníaco dura, em média, de uma semana a três meses. Os episódios costumam ser sucedidos por intervalos onde há remissão completa ou parcial do quadro; no entanto, há casos em que esse intervalo não existe, havendo passagem seqüencial de um estado depressivo para maníaco, ou vice-versa. Episódios mistos também podem ocorrer; nesses casos o paciente apresenta simultaneamente manifestações de mania e depressão.
Alguns pacientes apresentam somente um episódio durante toda a vida, outros têm episódios recorrentes, e há ainda os que se encontram cronicamente doentes, sempre manifestando um estado de exaltação do humor ou humor depressivo, mesmo que discretos.
Qual a causa?

Acredita-se atualmente que os transtornos do humor resultem de um mau funcionamento de substâncias presentes no Sistema Nervoso Central, os neurotransmissores. Algumas pessoas têm fatores genéticos (familiares) que as tornam predispostas ao desenvolvimento desse mau funcionamento. Nessas pessoas, alguns acontecimentos durante a vida e a ocorrência de interações entre o organismo do indivíduo e o ambiente podem desencadear o início da doença.
Quando procurar ajuda?

O tratamento precoce do Transtorno Bipolar é fundamental, pois a rápida estabilização do paciente é capaz de modificar beneficamente o curso da doença. Pacientes que não têm os episódios adequadamente controlados têm mais chances de evoluir com maior número de crises e menor intervalo entre elas. A intervenção terapêutica precoce é capaz de desacelerar ou mesmo impedir a progressão da doença, oferecendo ao indivíduo melhor qualidade de vida a curto e longo prazo, e diminuindo a chance de possíveis incapacidades decorrentes da doença grave.
Qual o tratamento?   

O tratamento adequado tem alguns objetivos: tratar os sintomas atuais, diminuindo o sofrimento pessoal e reduzindo os danos que as crises de humor acarretam e prevenir futuros episódios, contribuindo para o bem-estar e qualidade de vida do paciente.
O tratamento do Transtorno Bipolar tem como base o uso de medicamentos, mas deve ser abrangente e incluir, se possível, as seguintes medidas: psicoterapia, incluindo a familiar, se necessário; psico-educação; atividade física, particularmente exercícios aeróbicos e Yoga; adoção de horários regulares para dormir, despertar, tomar as refeições e dar início e fim às atividades e medidas dietéticas como abster-se de cafeína e álcool. Em alguns casos, a hospitalização pode ser necessária, sobretudo quando o paciente oferece riscos a si mesmo ou a terceiros, ou quando não dispõe de apoio familiar ou social.
Qual o medicamento utilizado para o tratamento?

Os medicamentos mais comumente utilizados no tratamento do Transtorno Bipolar são os estabilizadores de humor (lítio, divalproato, ácido valpróico, carbamazepina, oxcarbazepina, lamotrigina, gabapentina e topiramato), anti-psicóticos atípicos (principalmente olanzapina e quetiapina) e anti-depressivos (em situações nas quais os estabilizadores de humor e os anti-psicóticos atípicos não foram suficientemente efetivos para tratar a depressão bipolar) . Outros medicamentos também podem ser usados em casos de crises agudas e graves, ou quando há intolerância às substâncias mencionadas anteriormente. Pode ser necessária a utilização de associações medicamentosas (dois ou mais medicamentos usados simultaneamente).

Existem efeitos colaterais?

Todos os medicamentos utilizados na terapêutica de qualquer doença podem apresentar efeitos colaterais ou adversos. Os remédios utilizados no tratamento do Transtorno Bipolar podem também provocar o aparecimento de reações desagradáveis ou indesejadas. Seu médico lhe informará sobre essas possíveis reações; é importante estar atento ao surgimento dessas manifestações e informar o médico assim que possível, caso elas ocorram.
Durante o uso de alguns desses medicamentos, pode ser necessário o acompanhamento periódico por meio de exames laboratoriais.

O que mais devo saber?

Antes de iniciar o tratamento, não esqueça de informar o seu médico sobre: uso de outros medicamentos, gravidez, desejo de engravidar, amamentação, outras doenças presentes (problemas relacionados a rins, fígado, coração, tireóide, pele, diabetes, pressão alta, desmaios, convulsões, alergias, infecções, cirurgias, e/ou outros).
O consumo de bebidas alcoólicas pode ser perigoso quando o paciente está em tratamento com algumas dessas substâncias. Informe seu médico caso você tenha o hábito de ingerir bebidas alcoólicas.
Lembre-se: o otimismo e a confiança também fazem parte do tratamento.
Não desanime: a resposta aos medicamentos demora algumas semanas para aparecer, portanto, tenha paciência.
Não desista: o tratamento adequado para cada pessoa pode não ser alcançado numa primeira tentativa, mas diversos outros tratamentos estão disponíveis e podem ser tentados.
Em caso de dúvidas, consulte seu médico. Ele é a melhor pessoa para lhe informar sobre o seu problema.

Um comentário:

  1. Qualquer leigo no assunto deveria compreender que seja qual for a doença e/ou transtorno mental acarreta uma perda substancial da qualidade de vida como por exemplo é difícil manter horários seguir uma rotina comum e principalmente no que se refere ao contato social fazer amizade é como nos preservássemos de futuras rejeições.Se no seio familiar:irmãos,primos,tios e filhos somos vistos como os "loucos" que a qualquer momento podemos dar um surto psicótico mesmo sabendo que a vida inteira você foi e é monitorado pelo psiquiatra nem assim você tem algum tipo de credibilidade muito pelo contrário convivo desde adolescente cheguei aos 48 anos sobrevivendo a esse estigma que digo por experiência própria é pior que o desconforto da doença em si.E se existe uma lei 10.216/2001 e o art.129 do Código Penal que cita a ofensa á saúde e portanto inclui a saúde mental. A Emenda ART.247 do Senador Paulo Davim do PV/RN PRECISA URGÊNTEMENTE SER VOTADA EM UNANIMIDADE PARA SANAR ESSA INJUSTIÇA.Essa lei precisa ser respeitada e executada com vigor porque compreendo que varias causas de suicidios se baseiam nesse desrespeito a dignidade humana onde violam cruelmente nossos direitos.Vanuzia Carneiro Salvador Bahia BRASIL

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